segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

De como a passagem de ano de 1501 foi diferentemente atribulada, e como João da Nova derrotou o Samorim

"Frol de La Mar", Terceira Armada da Índia, séc. XVI

Na preparação de um ano que se avizinha especialmente deprimente - em todos os sentidos - servem estas notas para recordar que há cerca de meio milénio atrás as preocupações nacionais eram diferentes: o galego João da Nova, criado em Portugal e que para além de almirante da Terceira Armada da Índia foi Alcaide de Lisboa,comandou uma frota Portuguesa que na Batalha de Cananor derrota o Samorim e cimenta o domínio sobre o Índico, que começaria a ser apelidado de "lago português").



Citando a página pública da Marinha:
A batalha naval de Cananor de 1501/1502 é um marco importante na História Naval por várias razões. Pela primeira vez foi utilizada em combate de uma forma sistemática e consciente a formatura em coluna que havia de durar até à 2ª Guerra Mundial; foi a primeira vez que uma batalha naval se resolveu apenas com o uso da artilharia, o que marca a transição do navio guarnecido com soldados para o navio armado com canhões; através dela ficou inequivocamente demonstrada a superioridade da tecnologia naval europeia sobre a tecnologia naval dos povos do Oriente, o que marca o início do domínio do Mundo, durante quase cinco séculos, pelos Europeus. Por tudo isso nos parece que a batalha naval de Cananor de 1501/1502 poderá ser considerada a primeira batalha naval da Idade Moderna.
"Batalha de Cananor", Marinha Portuguesa (ênfase minha)


Note-se, contudo, que João da Nova e os portugueses de então não tinham de seguir critérios da Troika, não prestavam vassalagem ao Sacro Império Romano-Germânico, e não consta que El-Rei D. Manuel tivesse escrito no face "Sei que vão passar um ano complicado. Manuel"...até porque  a Terceira Frota da Índia nunca teria existido: seria privatizada seguindo o modelo que os holandeses utilizaram para a WIC, pois agora como então - e para alguns - o mercador e o onzeneiro são modelos de perfeição que pouco espaço deixam para heroísmos.

"Canonor"em 1572
(Georg Braun e Frans Hogenberg. "Civitates orbis terrarum" )
Posto isto, bom 2013!

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