segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

De como a passagem de ano de 1501 foi diferentemente atribulada, e como João da Nova derrotou o Samorim

"Frol de La Mar", Terceira Armada da Índia, séc. XVI

Na preparação de um ano que se avizinha especialmente deprimente - em todos os sentidos - servem estas notas para recordar que há cerca de meio milénio atrás as preocupações nacionais eram diferentes: o galego João da Nova, criado em Portugal e que para além de almirante da Terceira Armada da Índia foi Alcaide de Lisboa,comandou uma frota Portuguesa que na Batalha de Cananor derrota o Samorim e cimenta o domínio sobre o Índico, que começaria a ser apelidado de "lago português").

sábado, 29 de dezembro de 2012

De como uma descrição do século XVIII é aplicada a futebolistas em Espanha

Mulheres Portuguesas, séc. XVIII


Tenho lido uns ecos (algo remotos, não é tema especialmente profundo...) sobre o que futebolistas portugueses podem ou não estar a passar em Espanha.

O assunto em si é relativamente inócuo, quanto mais não seja porque a opinião que os Espanhóis tenham é algo que me parece difícil de generalizar, e existe concerteza aqui um empolamento óbvio da situação que pode não passar de uma série de disparates. Os Espanhóis são, regra geral, boas pessoas sem grande tempo ou paciência para acertos de contas imaginários com base em eventos seculares.

Seja como for, e como a situação actual de Portugal se parece prestar a mal-entendidos, lembrei-me de um texto do arquitecto Britânico James Murphy que por estes lados passou no século XVIII, e que a dada altura refere:

De como Artur Neiva é citado e a ortografia debatida

Convento do Carmo, Lisboa


Interessante excerto de um filólogo brasileiro - Artur Neiva - relativo ao português, e mais especificamente no que na altura era visto (e bem visto) como um certo ataque à grafia usada no Brasil pela reforma unilateral de 1911 em Portugal:

"...A confusão ortográfica em que o país se debate é de causar a maior lástima, porque estamos sacrificando uma geração inteira. Não há uniformidade e sente-se a preocupação de se impôr, através da ortografia simplificada, a atual pronúncia lusa que nós agora repelimos, porque mantemos viva a que eles nos trouxeram e herdamos.
Sutilmente começam a escrever receção, setor, seção, que nós pronunciamos recepção, sector, secção. Tal pronúncia se difundirá um pouco, mas não se fixará..."

in "Estudos da Língua Nacional", 1940 (ênfase minha)

Interessante em particular: