domingo, 16 de agosto de 2015

De como a Idade Moderna começou há 600 anos, e dos feitos de armas da Ínclita Geração em Ceuta.

Painel de azulejos de Jorge Colaço (1864 - 1942) 
na Estação de São Bento, no Porto: o Infante D. Henrique
na conquista de Ceuta (Wikipedia Commons)

Seis séculos após a Conquista de Ceuta, vale a pena deixar esta nota sobre um acontecimento absolutamente marcante da história da Europa e do Mundo: a Reconquista chega a África quando ainda na Península Granada resistia, sendo considerado o fim da Idade Média e do ideal de Reconquista ao mesmo tempo que anuncia a Idade Moderna e o expansionismo Português (e Ibérico, sendo Europeu por inerência e não por popularidade).


As motivações relativas à Conquista de Ceuta são variadas: defesa contra o corso magrebino, tentativa de controlar as rotas do ouro, forma de obter matérias primas ou recursos agrícolas... a necessidade de afirmação de uma dinastia que tinha na vitória de Aljubarrota o seu marco essencial mas que procurava feitos que permitissem secundarizar a problemática relativa à legitimade dinastica, aliada a um espírito de cavalaria ainda plenamente medieval, estes são os factores que vários autores também apontam e que pessoalmente valorizo.

A convivência duraria séculos - ver este interessante artigo de João Cosme sobre o Tratado de Fez de 1538 e que explica bem a complexa dinâmica da situação - e não seria com a não restituição de Ceuta à soberania portuguesa com a Restauração (ao contrário de Mazagão, bem mais distante e que só em 1769 deixaria a Coroa, e vale bem a pena visitarem a ligação anterior para perceberem porque razão Mazagão é Património da Humanidade) que esse capítulo se encerraria, sendo a nossa história recente um espelho dessa realidade.

Praça-forte de Mazação, cisterna manuelina (Wikipedia Commons)

Fonte essencial é a Crónica da Tomada de Ceuta por D. João I, escrita por Gomes Eanes de Azurara. Cronista real tinha obviamente razões ulteriores para a apologia da dinastia reinante. Seja como for uma obra essencial para qualquer Português, junto com as Décadas de João de Barros ou a Peregrinação de Fernão Mendes Pinto.

Entrada em Tânger, pormenor da  Tapeçaria de Pastrana
Obra marcante da Ínclita Geração, os seus ecos trágicos não deixariam de se sentir durante o desastre de Tânger (posteriormente tomada por D. Afonso V, seu sobrinho, já após a sua morte em condições abjectas), com a prisão e posterior morte de D. Fernando, o "Infante Santo", algo que é apontado como causadar do morte de D. Duarte e que não deixaria de influir no trágico processo que culminaria com Alfarrobeira a a morte de D. Pedro, mais um dos insignes filhos de D. Filipa de Lencastre ("Que enigma havia em teu seio /Que só génios concebia?...", escreveria Pessoa) com o seu mote Désir D. Pedro é talvez o melhor espelho do melhor que podemos ser.

A Torre do Tombo seleccionou alguns documento essenciais. A ver.

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